Estação 39

39

Estação 39

 

Acabo de passar por uma nova estação,

trinta e nove anos me separam do meu ponto de partida.

Quantas paisagens vistas destas janelas, que diga-se de passagem,

já não são tão claras como antigamente

o que não me impede de ver as belezas e as mazelas do mundo.

Mais belezas que mazelas… prefiro ver assim.

Tantas pessoas estão nesta viagem comigo,

muitos desde o início, alguns que embarcaram em estações mais próximas…

o que na verdade não importa, fazemos sempre uma grande festa.

Outros desembarcaram em estações passadas

deixando saudades, marcas, rastros, lembranças…

O bilheteiro acaba de passar, perguntou se eu desembarcaria nesta estação.

Num sorriso semicerrado acenei que não com a cabeça.

Tenho esperança de que ainda passarei por muitas estações,

hei de ver muitas paisagens,

conhecer novos passageiros.

Gostaria de desembarcar apenas quando o sonho não fizesse mais parte da minha viagem.

Ele entendeu todo o texto oculto do meu acenar, carimbou meu bilhete e passou adiante.

Fitei aquele pequeno pedaço de papel

que já começa dar os primeiros sinais de desbotamento,

mas que a cada estação se renova em um carimbo de cor viva

destacando-se de todos os outros trinta e oito.

Uma pequena gota salina escorreu no meu rosto,

não era tristeza… talvez gratidão.

Guardei o bilhete no bolso,

num gesto quase sacramental.

Espero tira-lo nas muitas próximas estações

renovando o carimbo, o compromisso, a vida!

 

Pablo Simões

22/04/16

1 Comentário

  1. Negro Bruno

    Que máximo essa história!
    Mexe com a imaginação facilmente.

    Responder

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